Passamos a vida inteira procurando. Buscando, tentando encontrar. Procurando uma casa, um carro, uma praia, um bom restaurante. Um filme, uma música perfeita, um livro, um perfume, um mantra, um cachorro, uma bebida. Tem gente que passa a vida procurando insetos, leões, cachoeiras, tesouros, amigos. Amores. Agora, o que realmente define sua busca, é o momento em que se encontra o que se procurava. Porque muitas vezes pensamos ter realmente encontrado a casa certa, e uma semana depois, descobrimos que ela é um antro de cupins e que tem goteiras no telhado. Descobrimos que o carro está com o motor trocado, e que o livro não tinha bem o final esperado. A cachoeira tinha suas águas sujas e o tesouro era de latão.
E eu procurei muito tempo. Procurei em bares, no cinema, em boates, na praia, no parque, procurei na rua. Procurei um menino, um homem, um amigo, um amante, um inimigo, uma paixão. Procurei e admito que vez em quando achava um aqui ou acolá, meio capenga, meio mais ou menos. Meio perfil. Servia pra meio período. Alguns eram meio charmosos, meio bonitos, ou muito bonitos e nada charmosos. Meio inteligentes e meio fortes. Ou muito fortes e nada inteligentes.
Mas nenhum deles era realmente inteiro. Nenhum deles fazia meu olhar congelar em sua direção, meu peito acelerar ao atender ao telefone, minha espinha se arrepiar com um abraço. Nenhum deles me deixava à vontade pra andar descalça, de cabeça baixa
Cansei porque não havia sentido nenhum em continuar aturando conversas bobas sobre musculação, sobre futebol, sobre o emprego entediante, sobre todas as ex-namoradas, ou sobre como seus pais tinham dinheiro. Não havia sentido continuar procurando alguém pra ir ao cinema, mas que minutos depois me deixaria ir sozinha para casa. Eu não procurava uma casa, não era um carro, não era um perfume, era um alguém. Procurava um olhar, um cheiro, um algo mais que me prendesse e não me soltasse pra que eu pudesse ter a certeza absoluta de que realmente tinha encontrado. Mas não achei.
Mas sorte a minha que eu fui achada. E meu olhar congelou em sua direção, minha espinha se arrepiou com seu abraço e meu peito acelerou com sua voz rouca em meu ouvido. E que baita sorte, além disso, ele era bonito e charmoso. Inteligente e forte, por inteiro, de alma, de essência.
E eu me convenci que passamos a vida inteira procurando sim. Mas a maioria das vezes, o que queremos está bem debaixo do nosso nariz. E quando deixamos de procurar, somos encontrados. Tem um ditado que diz isso, eu sei. Algo de borboletas e jardins. Mas precisava viver pra acreditar. Eu preciso continuar vivendo tudo isso. Eu preciso sentir que ele ainda sente, eu preciso que o seu coração dê um choque no meu, eu preciso saber que seu peito ainda aperta um pouco quando eu vou embora e se espalha como borboletas nas veias quando eu chego. Eu preciso ser encontrada todos os dias, pra me convencer que não preciso mais procurar.
Kathlen Heloise Pfiffer