Minha saia e blusa amassadas no chão, meu cabelo molhado sobre o travesseiro, seu bafo quente no meu ouvido e seus braços me segurando, me enlaçando sobre seu peito. Silêncio. Silêncio perdido porque tudo que havia que ser dito já foi dito, tudo que havia que ser sentido já foi sentido, tudo que havia que ser esperado foi realizado. Silêncio no ar, mas não. Nossos corpos falam por si, falam entre si, sentem um ao outro. Minhas pernas ainda tremem e tuas costas ainda se sentem arranhadas. E tudo que eu quis estava diante de mim, descansando os olhos (e ao mesmo tempo não me deixando dormir). Você parecia não saber ao certo o que sentir, mas eu tinha todos os sentimentos do mundo
...reticências que se repetem. Sempre.
E então você me liga, me convidando pra um café, pra uma conversa. Pra dar boas risadas, pra contar o seu dia e dizer como anda mal de saúde. Diz que me ama (no silêncio vazio), desliga. E eu vou até sua casa. Eu atravesso a cidade rumo ao que me mantém mais acordada, mais viva, mais alegre, mais arrumada inclusive. Vou porque sua companhia é prazerosa, porque eu adoro seu jeitinho desleixado de falar (por mais que eu critique), porque sua cama é confortável e seu chuveiro é quentinho. Eu vou por você. Por seus carinhos, suas reclamações de como eu ando desligada, por nossos planos, por seu peito acolhedor. Vou porque eu sei que você não anda se alimentando direito, porque seu sorriso me seduz e seu olhar me paralisa. Eu vou também porque eu te amo (a verdade é que esse é o primeiro motivo na hierarquia). Porque eu insisto em te amar.
Kathhlen Heloise Pfiffer